Saúde

Colírios para tratamento do glaucoma podem causar aborto espontâneo

Pacientes que queiram engravidar devem procurar ajuda médica para não prejudicar a mamãe e o bebê

Pacientes que queiram engravidar devem procurar ajuda médica para não prejudicar a mamãe e o bebê

O glaucoma atinge cerca de 60 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A doença eleva a pressão intraocular e provoca lesões no nervo óptico. Se não tratada, ao passar dos anos, a doença – muitas vezes silenciosa – pode levar à perda da visão. Uma boa notícia é que o glaucoma, quando diagnosticado, pode ser controlado com o uso de colírios e até laser.

Um grupo muito específico, que é o de pacientes com glaucoma que desejam engravidar, deve redobrar atenção sobre o tratamento da doença. É que, segundo o médico oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE) Michel Bittencourt, é preciso cautela no uso de colírios antiglaucomatosos. “Quando usado indiscriminadamente, eles podem induzir descolamento da placenta e causar, desde um pequeno sangramento sem maiores consequências para a gestante e o bebê, até a interrupção espontânea da gestação”, afirma. Ainda existem colírios, segundo Bittencourt, que podem alterar a frequência cardíaca do feto. 

A maioria das drogas antiglaucoma pertence à categoria C, definida pela Food and Drug Administration (FDA), ou seja, estudos em animais mostram efeitos adversos sobre o feto, não havendo estudos com mulheres grávidas. O médico oftalmologista está limitado ao uso das drogas do grupo B, como a brimonidina, já que não apresentam risco para o feto, em estudos animais, e os efeitos colaterais adversos observados não são confirmados em mulheres grávidas. “Devemos evitar o tratamento de pacientes grávidas com alguns fármacos, ao menos que o potencial seja benéfico para a doente e não justifique risco para o feto”, diz o médico Michel Bittencourt.

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Segundo o oftalmologista, o medicamento mais seguro para o tratamento em gestantes no início da gravidez é o tartarato de brimonidina, que não revelou alterações em fetos nos testes de laboratório. “Com o uso, a pressão intraocular geralmente diminui, principalmente na segunda metade da gestação por causa do aumento da produção de progesterona e relaxina, hormônios produzidos pelo ovário e placenta durante a gravidez”, argumenta. Para o médico Michel Bittencourt, é importante que as mulheres devam passar por avaliação oftalmológica antes mesmo de engravidar. “Um diagnóstico prévio para uma paciente que está pretendendo engravidar tem uma valia porque podemos preparar o olho para a fase de gestação com a administração de um laser chamado trabeculopastia”, argumenta Bittencourt. Esse laser visa a interrupção da progressão da doença, com a diminuição da pressão intraocular. A ressalva é que o tratamento a laser apenas é eficaz em pacientes com glaucoma de ângulo aberto. Um exame chamado gonioscopia ajuda a identificar o tipo de glaucoma.

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Como o glaucoma é uma doença silenciosa, é preciso ficar atento ao histórico familiar, já que 6% dos pacientes com a doença já tiveram casos na família. O acompanhamento é importante também na pré-gravidez para afastar as chances da doença. “Todas as mulheres que possuem glaucoma e pretendem engravidar devem procurar o oftalmologista para traçar um plano seguro para a futura mamãe e o bebê”, declara Michel Bittencourt. É importante lembrar que o paciente com idade superior a 40 anos, diabético ou se já teve algum trauma ocular deve ter um acompanhamento anual porque fazem parte do grupo de risco da doença.

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