Saúde

Dia Mundial do Rim: prevenção é a palavra-chave contra doenças renais

Dia Mundial do Rim

Coordenadora pedagógica do curso de Medicina da Uniara fala sobre a importância do órgão, suas funções e os cuidados para preservá-lo

Nesta quinta-feira, dia 14 de março, é celebrado o Dia Mundial do Rim. A coordenadora pedagógica da graduação, Cynthia Arruda Mauro Piratelli, fala sobre a importância do órgão, suas funções e os cuidados para preservá-lo. Ela já avisa: “prevenção contra doenças renais são as palavras-chave”.

“Os rins têm várias funções no organismo e, entre elas, talvez as mais importantes sejam o controle da pressão arterial, da excreção de lixo metabólico e produção da urina, e a produção de hormônios e outras substâncias que são essenciais para a homeostase do organismo e para a produção de glóbulos vermelhos”, explica a professora.

Ela comenta que a prevalência da doença renal é muito grande no Brasil e no mundo. “Como outras doenças silenciosas, muitas que acometem os rins não causam sintomas. Um paciente pode ser diabético, por exemplo, durante toda sua vida e, no decorrer dela, ter uma nefropatia hipertensiva, por exemplo e, infelizmente, descobrir isso somente quando os rins já estão com sua função bastante prejudicada”, alerta.

Os problemas mais comuns que afetam os rins, de acordo com a docente, são a hipertensão arterial, o diabetes melitus e outras doenças que são primariamente desses órgãos, como as glomerulonefrites. “Os rins acabam, quase sempre, sendo os primeiros alvos dessas doenças, que são degenerativas e crônicas. Quando o paciente tem sintoma de doença renal crônica, pode já ter perdido grande parte de sua função e, dentre esses sintomas, existem alguns que são mais importantes, como náusea, vômito, sonolência, coceira generalizada no corpo, dificuldade para urinar, inchaço, edema e um descontrole total de pressão arterial. Nesse ponto, no entanto, o paciente já está com a função renal bastante prejudicada”, reforça.

Em algumas situações, “pessoas podem ter alguma disfunção anatômica aguda, como um cálculo renal, que pode provocar insuficiência renal passageira, e depois ela se resolve”. “Desidratação, diarreia e tudo o que implique em situações de perda de água e eletrólitos pode prejudicar temporariamente o rim”, completa.

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Como saber se uma pessoa está com uma doença renal? “Se você vai ao médico e faz a detecção de pressão alterada, inchaço, se tem sangue na urina ou urina turva, se já teve cálculo renal ou infecção urinária com sintomas de ardor, dor, queimação ou dificuldade para urinar, se tem a urina mal cheirosa ou aumento na frequência das micções sem uma razão, palidez cutânea, fraqueza, mal-estar geral, muita sonolência e coceira pelo corpo que não se identifique a causa, além da creatinina ou exame de urina alterados, você é um potencial portador de doença renal”, esclarece.

Assim, o indivíduo “deve procurar o médico, pedir os exames bioquímicos e ficar atento aos familiares”. “Se tem histórico na família de hipertensão e diabetes, é preciso se cuidar e, se já for portador de doença renal, que tenha condições de procrastinar essa evolução”, diz.

Os rins precisam de água, segundo Cynthia, porque têm o controle homeostático da pressão arterial, “ou seja, mantêm nosso corpo em equilíbrio”. “Os eletrólitos e metabólitos que estão em excesso saem excretados na urina, e aquilo que temos em falta, eles conseguem reter, reabsorver e devolver ao sangue”, relembra.

A coordenadora detalha que o sangue passa pelos rins, é filtrado e é analisado na chamada taxa de filtração glomerular – “aproximadamente entre 100 e 120ml de sangue por minuto com o rim funcionando em 100% de sua função”. “Com o passar do tempo, com as doenças que acometem os rins, essa taxa vai caindo. Não existe a ideia de um rim estar doente e o outro, saudável – os dois adoecem igualmente, a não ser que seja um problema pontual, como um cálculo que obstruiu o rim direito, por exemplo”, explica.

Hidratação é essencial para ajudar a cuidar dos rins, de modo que “é importante de se hidratar, seja no calor ou no frio”. “Principalmente no calor, perdemos muito líquido por transpiração, pelas fezes e pela saliva, por exemplo. No frio, não temos essas formas tão exacerbadas, então, não percebemos que estamos perdendo água, de modo que temos a sensação de urinar mais, porém o rim funciona com água porque nosso corpo precisa dela para manter a homeostasia, o equilíbrio hidroeletrolítico. Quando fazemos a ingestão em quantidade adequada de água ou de líquidos, não sobrecarregamos a função renal. Se você toma menos água, o rim trabalha com uma hemoconcentração maior, o que pode elevar a pressão arterial. Recomenda-se de 2,5 a quatro litros de água por dia em situações normais do cotidiano”, detalha.

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Como mensagem em relação ao Dia Mundial do Rim, Cynthia aponta que, “com uma preocupação crescente com as doenças renais, que são mundialmente conhecidas, precisamos fazer um momento de debate e incentivo”. “Ainda temos muitas pessoas no mundo que morrem sem tratamento. O número de clínicas de diálise, especializadas em tratar aqueles que não têm mais função renal, não é suficiente para atender a todos. É preciso sempre fazer um checkup anual simples, que consiste na coleta de uma amostra de urina, para saber se há alguma anormalidade, e em um teste bioquímico, que é a dosagem de creatinina, um marcador indireto da função renal. São exames simples, que podem evitar que você tenha a progressão de uma doença silenciosa e, eventualmente, possa ter complicações já com irreversibilidade da função renal. Cuide dos seus rins. São preciosidades na vida de qualquer ser humano”, ressalta.

Doação

“Com os dois rins funcionando e, desde que tenhamos uma boa histocompatibilidade com o receptor que eventualmente já está fazendo uma terapia renal substitutiva, que é a hemodiálise ou a diálise peritoneal, existe uma triagem à qual as pessoas são submetidas para saberem se há compatibilidade com o doador. Ele pode ser uma pessoa viva que, ao doar um órgão, consegue viver bem com um rim só”, finaliza Cynthia.