Cultura Educação

Ranchinho: crianças desenvolvem projeto de Educação Ambiental na praça vizinha à escola

Os estudantes do 1º ao 5º ano, com idade entre 6 e 10 anos, vem sendo motivados a cuidarem do meio ambiente

Um projeto de Educação Ambiental tem mexido com os estudantes do Centro de Educação Ranchinho, localizado no Jardim do Bosque, próximo ao Imperador. Aproximadamente 220 crianças – oriundas de bairros da região Norte, como Selmi Dei e Vale Verde – participam das atividades que trazem conceitos e valores, os quais serão levados para toda vida.

Os estudantes do 1º ao 5º ano, com idade entre 6 e 10 anos, vem sendo motivados a cuidarem do meio ambiente, com as atividades propostas pelo professor responsável pela oficina de Educação Ambiental, Francis Carlos Gattis, que atua há aproximadamente 15 anos na unidade.

O trabalho faz parte do projeto anual da escola “Criando laços, tu te tornas responsável por aquilo que cativas”, relacionado à obra “O pequeno Príncipe”, obra do escritor, ilustrador e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, publicada em 1943 nos Estados Unidos. A ideia é criar a relação de cativar, de ter cuidados – principalmente com a natureza e todo o planeta.

Por meio das atividades, os estudantes entendem e aprendem a valorizar e amar a natureza e seus elementos, tendo consciência desde pequenos sobre suas responsabilidades. A ideia é que as crianças de hoje possam fazer parte de sociedades mais justas, onde os cidadãos respeitam a si próprios, seus semelhantes e todas as formas de vida existentes.

As atividades no Centro de Educação Ranchinho acontecem durante todo o ano e, uma das propostas diz respeito ao paisagismo e arborização da praça vizinha à escola. O professor conseguiu envolver as crianças na recuperação e manutenção do espaço e, assim, desde março deste ano, todos prestam cuidados ao local: prepararam a terra, cultivam e plantam sementes e cuidam do que foi germinado e do que vem sendo desenvolvido.

O professor Francis conta que o projeto extrapolou os muros da escola, já que antes era desenvolvido dentro da escola. “Em 2015 e 2016 trabalhamos uma horta aqui na nossa ‘roça’ e o interesse gerado foi muito positivo”, explica. De acordo com a diretora da unidade, Silvia Angela Pelicolla Galli, em 2015 até um milharal foi plantado, com toda a produção usada na festa junina da escola.

SAIBA MAIS.:  ‘Natal Solidário’ atrai crianças e famílias

Agora, na praça, os estudantes estão envolvidos na plantação de sementes de guapuruvu que, de acordo com Francis, origina uma árvore de grande porte, porém sem muita sombra – o que não deixaria a praça escura. “Ela é muito usada no reflorestamento. As nossas crianças, de março até agora, plantaram 54 mudas dessa árvore. Mas plantamos muitas outras espécies”.

Temperos, árvores frutíferas e um jardim com flores também já estão devidamente instalados no espaço, pelo trabalho do professor e seus alunos. Zínia (ou capitão), mini Adália e Maria-sem-vergonha são algumas das flores que, agora, atraem pássaros e borboletas ao ambiente. Pimenta, manjericão e maxixe já não faltam – tudo pela mão dos “pequenos produtores”. Para tanto, foi criado um “hospital maternidade”, uma sementeira onde são produzidas as mudas.

As crianças também são motivadas com conceitos e temas referentes à natureza. “O melhor momento para abordarmos os conceitos é junto à natureza: os alunos gostam, prestam atenção e se interessam. No ambiente podemos viver diversas experiências em contato com abelha, lagarto e até outros bichos – as crianças estão tão ambientadas, que as corujas e os quero-queros não se sentem ameaçados ”, aponta Francis. “As experiências vivenciadas na Oficina de Educação Ambiental tem possibilitado um grande desenvolvimento do censo crítico, haja visto que as crianças fazem inúmeras observações quanto à condição da praça”.

E o florescer da praça, ainda – para coroar toda a beleza do projeto – conta com poesias que enfeitam o jardim construído pelas crianças. O professor Francis tem o capricho de criar placas de madeira, pirografadas com poesias de grandes nomes da literatura brasileira, como  Manoel de Barros, Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana e Paulo Leminski.

Porém a flor mais bonita é a criança consciente, que replica a informação sendo um agente multiplicador, afinal, a consciência ambiental cria uma nova relação de como usufruir os recursos oferecidos pela natureza, criando um novo modelo de comportamento em busca do equilíbrio entre o homem e o meio ambiente. Tudo isso é fundamental para que as pessoas possam ter cada vez mais qualidade de vida, sem desrespeitar o meio ambiente. “Se tornou uma constante ouvir as crianças relatarem que estão cultivando em casa flores ou hortaliças”, comemora Francis.

SAIBA MAIS.:  Alunas desenvolvem receitas saudáveis para o natal

Os vizinhos da praça também estão bastante animados com o exercício consciente das crianças. Rita Costa, por exemplo, conta que ao cruzar os portões do seu condomínio, percebeu que na praça havia um movimento diferente. “Ela estava tomada por crianças, elas se ajudavam no transporte da água para os canteiros, corriam, brincavam, ocupando aquele espaço que já era delas, por direito. E assim por meses, percebi que o espaço em frente ao condomínio ganhava vida, canteiros de flores, mudas de árvores cresciam, parecia que a alegria das crianças estava cultivando um lugar melhor, a mãe Terra agradecida, florescia…”, pondera Rita. “Ainda, de repente, me deparo com poesia, singela e simples, em madeira crua, sem pretensão, poesia, daquelas que alegram o dia, entre flores e arbustos”.

Toda a escola celebra a integração com o meio ambiente: muitas crianças aproveitam a praça com seus familiares aos finais de semana e feriados. “A proposta deste projeto foi o resgate da área verde e uma interação do âmbito escolar e a comunidade local, um convívio deste espaço verde regado a poesia e arte, pois o futuro não está definido, buscando formar uma sociedade onde o verde possa ser valorizado e faça parte deste espaço sustentável”, sintetiza a diretora Silvia.