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Socióloga Dulce Whitaker é homenageada com Prêmio Heleieth Saffioti

Prêmio “Heleieth Saffioti

Instituído pela Mesa Diretora da Casa de Leis em 2011, premiação tem o objetivo de homenagear mulheres que se destacaram na área social

Na quinta-feira (18), foi realizada, no Plenário da Câmara Municipal de Araraquara, a Sessão Solene de entrega do 8º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque” para a socióloga, professora e escritora Dulce Consuelo Andreatta Whitaker. O Prêmio foi instituído pela Mesa Diretora da Câmara Municipal em 2011, com o objetivo de homenagear mulheres que tenham se destacado profissionalmente ou prestado relevantes trabalhos na área social, valorizando a mulher no contexto da cidadania. As homenageadas são indicadas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Araraquara.

A solenidade foi conduzida pelo presidente da Câmara Municipal, Tenente Santana (MDB), que declarou ser uma honra e um privilégio participar do evento. “Hoje nos coube homenagear uma das figuras mais importantes no tocante à educação e aos movimentos sociais de Araraquara. A professora Dulce teve uma vida voltada à pesquisa, à cultura e à educação. Ela sempre foi aclamada pelos alunos e por aqueles que comungam dos seus ideais, por se entregar de corpo e alma e buscar valer os direitos humanos para todos. É um prêmio para a nossa cidade poder contar com uma mente tão privilegiada, capaz de passar seus conhecimentos à juventude sedenta de seus ensinamentos de forma tão didática.”

O prefeito Edinho Silva (PT), ex-aluno do curso de Ciências Sociais da Unesp, não pôde comparecer por compromissos fora da cidade, mas enviou um vídeo à ex-professora, no qual ressaltou sua admiração e seu carinho. “Além de uma educadora nata, você é uma mulher de uma coerência incrível, que educa e sempre educou pelos atos concretos, além de ser uma teórica e intelectual brilhante. Fica o meu abraço por tudo o que você representa para a minha geração de estudantes da Unesp, para os militantes, para todas as pessoas que tiveram a alegria e a oportunidade de conviver com você. É uma justa homenagem a esta mulher que efetivamente fez história enquanto intelectual, professora, educadora e ser humano.”

Quem também prestou sua homenagem à socióloga foi a deputada estadual Márcia Lia (PT), que fez parte da legislatura que instituiu o Prêmio em 2011. “Criamos o Prêmio por toda a história, a trajetória, tudo o que significou a professora Heleieth na luta pela tentativa da igualdade entre homens e mulheres, igualdade de gênero, uma palavra que hoje está tão disputada, tão controvertida, que virou sinônimo de enfrentamento. Você espalhou amor em cada espaço onde construiu a sua vida, com seus alunos, amigos, familiares. É uma pessoa que vai deixar uma história linda. Uma inspiração que nos dá coragem para estar na trincheira, na luta, enfrentando tudo aquilo que nos compete.”

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Já a vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, a socióloga Claudete Basaglia, destacou a prolífica obra da professora. “Quero confessar que me senti bem com a dificuldade para selecionar o que deveria ser aqui enaltecido, diante de tantos feitos e tantos escritos. Foi essa boa dificuldade que me levou a compreender que sua produção intelectual está disponível para ser lida, entendida e problematizada, dada a sua atualidade. Ela também está presente nas ações daquelas pessoas que conviveram e convivem pessoalmente com você e daquelas que, como eu, a conhecem pelo que escreveu.”

A secretária municipal de Gestão e Finanças, Juliana Agatte, ressaltou a referência da professora para as lutas das mulheres. “Sabemos que nós, mulheres, em todos os espaços que ocupamos, seja dentro de casa, nos trabalhos diversos que ocupamos, na academia, nas lutas do dia a dia, sabemos que o nosso caminho é de muita angústia, dor e sofrimento, porque a gente tem essa capacidade de se colocar no lugar do outro. A sua referência de mulher forte e, ao mesmo tempo, doce, é de extrema importância para darmos continuidade à nossa luta, na sororidade que permeia as nossas relações. Ter a oportunidade de repassar essa luta para as próximas gerações é um motivo de orgulho, por isso é importante esse prêmio hoje.”

Por fim, Dulce agradeceu emocionada aos presentes, observando que “essa homenagem vem coroar, de uma certa forma, uma vida de lutas. As minhas lutas não foram só pelas mulheres, foram por seres humanos, principalmente aqueles da zona rural, esquecidos neste país, e pela reforma agrária, uma face histórica muito triste do Brasil”. A professora lembrou a importância de outras mulheres, como a própria Heleieth Saffioti (“uma referência mundial”), a professora Vera Botta (“companheira de ideais políticos e sociais que me ensinou a ser araraquarense”) e Dilma Roussef (“uma mulher na presidência era algo impensável no Brasil”).

Sobre as mulheres, disse que não falaria “do que ainda é duro, da violência doméstica, nem da desqualificação das mulheres no espaço político, porque tudo isso todo mundo sabe, quando não sabe é porque não quer saber. Vou falar de um tempo em que as mulheres foram divinizadas, e a história registra isso muito pouco. Da época dos celtas, na Europa, na Grécia arcaica, Creta e toda a volta mediterrânea, quando havia uma profusão de deusas. Nessa época, as mulheres eram divinas, pois os homens não tinham muita certeza de qual era o papel deles na reprodução e, quando o corpo da mulher se abria e saía uma criança, era um milagre. Não é que as mulheres mandassem nos homens, não era um matriarcado, era uma igualdade muito grande. Eu só queria que a gente militasse um pouco para recuperar esse tempo de amor, não de violência contra a mulher. Minha proposta é que homens e mulheres militem para recuperar a ideia do amor, que está muito perdida hoje em dia”.

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Estiveram presentes a coordenadora de Políticas para Mulheres, Amanda Vizoná, o presidente do Conselho Municipal dos Direitos Humanos, Flávio Soares Haddad, a assessora de Políticas para a Pessoa com Deficiência, Elisa Santos, além do presidente e da tesoureira da Fundação Toque, respectivamente, Luciano e Marcia Pizzone.

A homenageada

Dulce Consuelo Andreatta Whitaker nasceu em Curitiba (PR), em 21 de dezembro de 1934. É graduada em Ciências Sociais pela Universidade Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), tem mestrado em Sociologia e Doutorado em Sociologia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado em Sociologia pela Universidade de Oxford.

É professora voluntária e colaboradora, atuando na pós-graduação em Educação Escolar da Unesp de Araraquara e na pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente da Universidade de Araraquara (Uniara). É coeditora da revista Retratos de Assentamentos, do Núcleo de Pesquisa e Documentação Rural. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia Rural, atuando principalmente nos temas Educação, Cultura, Metodologia, Assentamento Rural e Sociologia Rural.

Tem quase uma centena de artigos completos publicados em periódicos. Entre livros publicados e organizados ou edições, são 25 trabalhos, muitos capítulos de livros, textos em jornais de notícias e revistas, além de cerca de cem trabalhos completos e resumos expandidos publicados em anais de congressos.



CM

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